Aristófanes

Blog de marcosalves :teatro em todos os tempos por Marcos Alves, Aristófanes

            Nasceu em Atenas, Grécia em 457 a.C. e faleceu em 385 a.c. Viveu toda a sua juventude sob o esplendor do Século de Péricles. Testemunhou  o início e o fim daquela grande Atenas. Viu o início da Guerra do Peloponeso, em que Atenas foi derrotada.. Ele, da mesma forma, viu de perto o papel nocivo dos demagogos (especialmente Cléon) na destruição econômica, militar e cultural de sua cidade-estado. À sua volta, à volta da acrópole de Atenas, florescia a sofística -a arte da persuasão-, que subvertia os conceitos religiosos, políticos, sociais e culturais da sua civilização.

             Cleon (fl. -430/-422), influente político que se destacou em Atenas após a morte de Péricles (-495/-429), foi diretamente satirizado por ele em sua primeira comédia sob o próprio nome, também no ano de 427 a.C. (Os Babilônios). Cleon, segundo a tradição, processou-o sem sucesso em -426. “Os Babilônios” foi representada nas Grandes Dionísias Urbanas, diante do General e de seus aliados, mas perdeu-se no tempo...

             Sua primeira comédia, “Os Convivas”, estreou em -427 sob o nome de “Calístrato, o ensaiador da peça”, e obteve de saída o segundo prêmio.

             Dois anos depois, no ano de 425 ac, nas Leneanas, Aristófanes apresentou a comédia “Os Cavaleiros”, o que motivou um segundo processo em -424, resolvido aparentemente através de acordo realizado fora dos tribunais Esta peça, felizmente, chegou até nós. Ela representa o mais violento ataque pessoal de Aristófanes a Cleon Foi considerada tão agressiva que nenhum ator da época teve a coragem de representar o papel de Panflagônio (Cleon). Foi o próprio autor que teve de fazê-lo (desempenho, aliás, considerado medíocre por seus contemporâneos). Para desespero do general, ele foi o vencedor do concurso.

                No governo de Cleon, os aliados de Atenas foram relegados à condição de colônias, o que provocou descontentamento, deserções e, depois, a Guerra do Peloponeso, Esta situação favorece o partido aristocrático, que se instala no poder, mas a liberdade de expressão desaparece, o que modifica a atitude de Aristófanes como escritor dado que o impede que trate em cena temas políticos da atualidade. Este fato histórico determina a divisão das suas obras em dois grandes grupos: as escritas antes e depois do referido fato.

             Da primeira época são:  “Os Acarnenses”, na qual manifesta a sua atitude antibélica (1º lugar nas Dionísias); “Os Cavaleiros”, ataque contra o demagogo Cléon, que o Salsicheiro, demagogo mais hábil do que ele, e os cavaleiros da aristocracia derrotam (1º lugar nas Dionísias); “As Nuvens”, sátira das novas filosofia e pedagogia, em que ataca Sócrates e os sofistas (3º lugar nas Dionísias); “As Vespas”, sobre a paixão que os atenienses mostram pelos processos judiciais (1º lugar nas Dionísias); “Paz”, obra antibelicista (2º lugar nas Dionísias); “As Aves”, em que descreve o fantástico reino dos pássaros, que dois atenienses dirigem e que, na forma como agem, conseguem suplantar os deuses ( 2º lugar nas Dionísias); “Lisístrata”, obra especialmente alegre, em que as mulheres de Atenas, dado que os seus maridos não acabam com a guerra, resolvem fazer uma greve sexual (1º lugar nas Dionísias); “Mulheres Que Celebram as Tesmofórias”, paródia das obras de Eurípides (1º lugar nas Dionísias); e “As Rãs”, novo ataque contra Eurípides (1º lugar nas Dionísias). Para sublinhar mais esta excelência entre os gregos, é bom citar que a comédia “As Rãs” foi tão bem recebida pelo público que teve a sua reapresentação pedida pela platéia. Na época, a reapresentação de uma peça era privilégio da tragédia.

              Da sua segunda época são “Assembleia das Mulheres” (em que Aristófanes satiriza um Estado imaginário administrado pelas mulheres, no qual tudo é de todos e as velhas têm prioridade para reclamar o amor dos jovens) e “Um Deus Chamado Pluto”, fábula mitológica em que esta divindade da riqueza, que na sua cegueira favorece os malvados, recupera a vista.

Nas duas últimas comédias nota-se uma redução expressiva das partes corais, o desaparecimento da sátira política e uma importante atenuação da sátira pessoal, o que coloca ambas no terreno da "Comédia Média", ou pelo menos em pleno período de transição. É possível que uma das últimas obras de Aristófanes, “Cocalos”, apresentada por seu filho Araros entre -388 e -380, tenha inaugurado alguns aspectos da "Comédia Nova", introduzindo na comédia alguns aspectos românticos que caracterizariam posteriormente o gênero.

              Do acervo de 40 peças de Aristófanes, somente 11 peças nos restaram.Restaram também numerosos fragmentos de suas outras comédias, que permitiram reconstituir, ao menos em parte, o argumento de algumas delas. Embora toda sua vida intelectual tenha transcorrido em Atenas, apresentou certa vez uma de suas peças no teatro de Elêusis.

            Todos os recursos cômicos imagináveis foram usados com grande maestria pelo poeta, desde a sátira mais grotesta até a malícia mais sutil: situações ridículas, cenas fantásticas, personagens alegóricos, caricaturas de personagens humanos reais e deuses, pilhérias, ironias, jogo de palavras, trocadilhos, mal-entendidos, exageros, substituição de palavras esperadas por outras inesperadas, paródias (dos autores trágicos, principalmente), neologismos, provérbios...

              Aristófanes recorria também com freqüência à licenciosidade e à obscenidade, o que sem dúvida pode chocar os desavisados leitores modernos. Não se deve, no entanto, esquecer que o pudor de nossos tempos desenvolveu-se somente nos últimos séculos, e que os antigos encaravam com muito mais naturalidade esse tipo de gracejo. Além disso, as festas dionisíacas que originaram a comédia derivaram de antigos rituais de fertilidade em que o elemento sexual era um componente crucial.

               As críticas de Aristófanes atingiam a tudo e a todos: os chefes políticos, a Assembléia, os tribunais e os juízes, os militares, os poetas trágicos, os filósofos, o povo em geral, os velhos, os jovens, as mulheres... Mas as intenções morais por trás das críticas eram muito sérias: o poeta defendia sempre os valores antigos, a vida rural e, especialmente, a paz — tão desejável durante a Guerra do Peloponeso.

            Suas duas últimas comédias, Cocalos e Eolosicon foram encenadas por seu filho Araros após -388. Acredita-se que o poeta tenha morrido pouco depois, em algum momento entre -386 e -380.

 

domingo 24 junho 2007 13:22



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