Teatro Medieval

Blog de marcosalves :teatro em todos os tempos por Marcos Alves, Teatro Medieval

              O teatro medieval é, como o antigo, de origem religiosa; apenas a religião é outra.

              Os teatros anteriormente eram de madeira; depois, de mármore e alvenaria. Com o triunfo do cristianismo, são fechados até o século X.

                 Durante a Idade Média, entre os séculos V ao XV, a Igreja Católica detém grande poder político e econômico e exerce um forte controle sobre a produção científica e cultural. Essa ligação da cultura medieval com o catolicismo faz com que os temas religiosos predominem nas artes. Em todas as áreas, muitas obras são anônimas ou coletivas.

            Os enredos são tirados da história bíblica. Na França, os jeux (jogos) contam histórias bíblicas. As ocasiões de representação são as festas do ano litúrgico. O palco é a praça central da cidade. Toda a população participa dele. Mas no palco também já se encontram os elementos cenográficos que, mais tarde, constituirão o "teatro de ilusão" moderno. O valor literário das peças é muito desigual: entre cenas de lirismo religioso e humorismo popular (cenas do diabo e dos judeus) encontram-se longos trechos didáticos e declamatórios.

             A proibição dos mistérios pela Igreja, em 1548 já na idade moderna, tenta pôr fim à mistura abusiva do litúrgico e do profano. Essa medida consolida o teatro popular. Os grupos se profissionalizam e dois gêneros se fixam: as comédias bufas, chamadas de soties (tolices), com intenções políticas ou sociais; e a farsa, como a de Mestre Pathelin, que satiriza o cotidiano. Seus personagens estereotipados e a forma como são ironizados os acontecimentos do dia-a-dia reaparecem no vaudeville, que no século XVII será apresentado nos teatros de feira.

               Mestre Pathelin foi um dos personagens que marcaram época nas farsas teatrais. Portava-se como sendo o mais esperto dos mortais, e tocava sua vida sempre ao sabor de puxar o tapete de alguém. Desde que, levasse qualquer vantagem, lá estava ele, pronto para dar uma rasteira em um amigo, cliente ou desprevenido. Conta-se que certa vez defendeu um pastor que estava sendo acusado de furtar ovelhas de seu patrão. Pathelin instruiu o pastorzinho, a responder com balidos, às perguntas do magistrado. E assim foi.

               A cada pergunta um balido como resposta. Após algum tempo de interrogatório, cansado de tantos balidos, o magistrado deu por fim ao procedimento e absolveu o pastor por entender que se tratava de um portador de deficiência mental.
              No dia seguinte, Pathelin dirigiu-se à casa do pastor para receber seus honorários, e para sua surpresa, foi recebido com balidos pelo cliente que acabara de absolver. Por mais que tentasse se fazer entender que ali estava para receber os honorários, nada conseguia. Obtinha como resposta, os mesmo balidos que no dia anterior havia ensinado ao pastor. Depois de algumas horas, cansado, desistiu e foi-se embora sem receber qualquer centavo.
   
                            

                     As peças, sobre o ciclo da Páscoa ou da Paixão, são longas, podendo durar vários dias. A partir dos dramas religiosos, formam-se grupos semiprofissionais e leigos, que se apresentam na rua.

                Os temas ainda são religiosos, mas o texto tem tom popular e inclui situações tiradas do cotidiano.

                  Os fiéis participam como figurantes e, mais tarde, como atores e misturam ao latim a língua falada no país.

              No final da idade média e no começo do século XVI aparecem na Península Ibérica dois grandes dramaturgos que, sem sair da técnica teatral medieval, enchem-na de idéias novas, em parte já humanistas e renascentistas. “La Celestina” de Fernando Rojas (?-1541), é antes um romance dialogado; obra de influência imensa na Europa de então.

                      As peças de Gil Vicente guardam o caráter de representação para determinadas ocasiões, litúrgicas, palacianas e populares.

Autores medievais –

              No século XII, Jean Bodel é o autor do ''Jogo de Adam'' e do ''Jogo de Saint Nicolas''. Os miracles (milagres), como o de ''Notre-Dame'' (século XV), de Théophile Rutebeuf, contam a vida dos santos. E, nos mistérios, como o da ''Paixão'' (1450), de Arnoul Gréban, temas religiosos e profanos se misturam.

               A comédia é profana, entremeada de canções.

              ''O Jogo de Robin et de Marion'' (1272), de Adam de la Halle, é um dos precursores da ópera cômica.

Espaço cênico medieval –

            O interior das igrejas é usado inicialmente como teatro. Quando as peças tornam-se mais elaboradas e exigem mais espaço, passam para a praça em frente à igreja. Palcos largos dão credibilidade aos cenários extremamente simples. Uma porta simboliza a cidade; uma pequena elevação, uma montanha; uma boca de dragão, à esquerda, indica o inferno; e uma elevação, à direita, o paraíso. Surgem grupos populares que improvisam o palco em carroças e se deslocam de uma praça a outra.

Teatro medieval

                 Apesar de o teatro escrito no modelo greco-romano estar vetado pela Igreja Católica, a manifestação teatral sobrevive no início do período medieval com as companhias itinerantes de acrobatas, jograis e menestréis.

              A partir do século X, a Igreja o adapta à pregação católica e às cerimônias religiosas. Dramas litúrgicos são encenados pelo clero dentro das igrejas. Depois desenvolvem-se outras formas, como Milagres (sobre a vida dos santos), Mistérios (discutem a fé e misturam temas religiosos com profanos) e Moralidades (questionam comportamentos). As encenações passam a ser ao ar livre por volta do século XII e chegam a durar vários dias.

             Aos poucos, os espectadores assumem papéis de atores, conferindo às apresentações um tom popular. Há intensa atividade teatral na Itália, França, Espanha, Alemanha e Inglaterra. Uma das primeiras obras independentes da liturgia é a francesa Le Jeu d’Adam (1170). Nessa época, em geral, os textos são anônimos.

                No século XIII, surgem os autos na Espanha, peças alegóricas que tratam de temas religiosos em palcos provisórios.

              A proibição pela Igreja de misturar temas religiosos e profanos – processo que se consolida no fim do século XIV – tem como efeito o surgimento das comédias medievais totalmente profanas, entremeadas de canções.

              Os grupos se profissionalizaram e dois gêneros se fixaram: as comédias bufas, chamadas de soties (tolices), com intenções políticas ou sociais; e a farsa, como a de "Farsa do Mestre Pathelin", do século XIV, peça importanteque satirizava o cotidiano. Seus personagens estereotipados e a forma como eram ironizados os acontecimentos do dia-a-dia reapareceram no vaudeville, que no século XVII foi apresentado nos teatros de feira.
                  Esses textos ainda são anônimos.

                  Na França, a primeira sala permanente de teatro é aberta em Paris, no início do século XV.

                A primeira companhia profissional da Inglaterra surge em 1493.

              O teatro medieval foi marcante do século X ao início do século XV e teve grande influência no século XVI.

               

quarta 08 agosto 2007 22:33



14 comentário(s)

  • Caue Qua 16 Mai 2012 05:45
    O texto é bom... mas cadê as Referências????? CADÊ AS REFERÊNCIAS!!!!
  • eduardo mailto Seg 18 Ago 2008 21:06
    gostei muito !!!
  • carlos augusto mailto Sáb 12 Jul 2008 13:40
    peça sobre vocação católica
  • joana Ter 13 Mai 2008 02:09
    esse texto é muito bom,bem esplicado
  • lili mailto Sáb 05 Abr 2008 03:06
    Nossa vc podia ir direto no assunto. DÃÃÃ
  • Barbie Ter 01 Abr 2008 22:38
    Oque eram os "misterios" e os "Autos medievais"? Quais foram as suas influencias na cultura popular brasileira ate os dias de hoje? É urgente! Preciso de ajuda!!!!
  • aline mailto Seg 17 Mar 2008 20:23
    teatro madieval
  • rodrigo mailto Qui 31 Jan 2008 13:08
    isso
  • janinho mailto Sex 18 Jan 2008 14:14
    esse texto e muito bom
  • jessica mailto Ter 15 Jan 2008 23:47
    um texto é bom demais


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