O jesuíta José de Anchieta com o objetivo de catequizar os índios brasileiros, utilizava recursos teatrais, assim começava a história do teatro no Brasil, teatro didático religioso, com o intuito de pregar a nova religião para os indígenas, no período barroco, século XVI, no início do Brasil colonial. As peças apresentadas por Anchieta eram encenadas pelos índios em tupi-guarani, português e espanhol. Alguns textos da dramaturgia de Anchieta são: Na Festa de São Lourenço , Pregação Universal , A Santa Inês, Na Vila da Vitória . Mistério de Jesus e O Rico Avarento e o Lázaro Pobre.
O teatro
brasileiro a partir daí começou a evoluir e no
século XVII era perceptível uma
diversificação, peças eram trazidas da Espanha
e encenações em língua portuguesa. Vê-se
nesse período obras teatrais escritas por Manoel Botelho de
Almeida, o baiano e Antônio José da Silva, o Judeu,
que tinha suas peças encenadas no Teatro
do Padre Ventura, no Rio de Janeiro.
As peças populares eram encenadas nas praças por
artistas amadores em ocasião de datas festivas ou homenagens
a alguma autoridade.Em
1808, com a chegada da família real
portuguesa, surgiam os primeiros teatros.
O primeiro ator e dramaturgo a se
destacar foi João Caetano. Carioca, nascido em 1808,
interpretou clássicos de autores do teatro como Shakespeare
e Molière, além de autores brasileiros. Hoje, a sala
de teatro do Rio de Janeiro, que anteriormente se chamava de Real
Teatro São João, construída em 1810 por
determinação do imperador D. João VI, leva o
nome de João Caetano, em homenagem ao dramaturgo.
Os circos brasileiros mais antigos organizaram-se na segunda metade
do século XVIII. Em 1828, Manuel Antônio da Silva
apresentou um espetáculo de dança sobre um cavalo a
galope em uma residência particular.
Surgem, com a Independência, os primeiros textos de autores e
temáticas nacionais, inaugurando mais uma fase do teatro
brasileiro, no período do Romantismo. Os textos abordavam
temas sobre a vida religiosa e os costumes da sociedade da
época, com ênfase a literatura cotidiana e
histórica do país. como por exemplo:
“Antônio José” ou “O Poeta e a
Inquisição”, de Gonçalves de
Magalhães em 1838 – Drama; e “ O
Noviço” de Martins Pena em 1845 –
comédia, além de outros autores como Leonor de
Mendonça, Castro Alves e Joaquim Manuel de
Macedo
Em meados do século XIX, mais uma
fase do teatro brasileiro que embalada pelo Realismo, dá
vazão a autores como Machado de Assis e Aluisio de Azevedo
fazem uma crítica às elites brasileiras
através de uma literatura recheada de
humor e sarcasmo.
As peças escritas por Arthur de Azevedo
traz um enredo baseado nas questões político-sociais
do país, entre as quais A Capital Federal e O Mambembe ,
até hoje montadas em nossos teatros.
Após o período da Primeira Guerra
Mundial (1914-1918), surgem os grandes autores como Leopoldo
Fróes, fundador da primeira companhia brasileira de
teatro.
Já no final do século XIX, teve início a construção dos grandes teatros brasileiros inspirados na Ópera de Paris, como o Teatro Amazonas (1896), o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (1909) e o Theatro Municipal de São Paulo (1911).
Nesses locais, em princípio, encenavam-se obras eruditas, óperas, orquestras, apresentações de grupos e artistas estrangeiros.
Hoje esses teatros são mais ecléticos, recebem todo tipo de espetáculos, do clássico ao regional.Na década de 40, os métodos de direção de um dos maiores diretores de teatro russo se espalharam graças aos atores do leste europeu que refugiaram-se no Brasil, introduzindo o método de Constantin Stanislávski no Teatro Oficina, no Rio de Janeiro.
Nas décadas de 30 e 40, o Brasil é tomado pelo gênero humorísticos, as companhias teatrais se concentravam em torno de um ator carismático que tinha domínio de palco, uma comunicação direta com o público e conhecimento da arte do improviso. Nestas companhias destacam-se Procópio Ferreira, Jaime Costa e Dulcina de Morais que são exemplos.
Nos anos 40, uma vontade geral de transformar esse modo de fazer
teatro se propaga por grupos amadores, formados por
universitários, intelectuais e profissionais liberais.
Décio de Almeida Prado funda o Grupo Universitário de
Teatro. Alfredo Mesquita dirige o Grupo de Teatro Experimental e
funda a primeira escola de atores do Brasil, a EAD - Escola de Arte
Dramática, em São Paulo. Os amadores começam a
reconhecer que a arte teatral carecia de técnica e textos
encenados e impulsionam o projeto das escolas especializadas em
teatro.
Em
1943, a montagem de Ziembinski, para Vestido de Noiva, transformou
o papel do diretor de teatro no Brasil e a obra de Nelson Rodrigues
revolucionou a dramaturgia brasileira.
Franco Zampari, italiano radicado no
Brasil desde 1922, engenheiro das indústrias
Matarazzo. Em 1945, Zampari escreve uma
peça de teatro chamada "A Mulher de Braços
Alçados" que apresenta para um grupo seleto de amigos e o
que o impulsiona a enveredar-se no ramo
teatral.
Em 1948 fundou, juntamente com um
grupo de empresários paulistas, o Teatro Brasileiro de
Comédia (TBC) em São Paulo, transformando um
casarão em teatro, com 365 lugares aparelhado com 18 camarins, duas salas de ensaio,
uma sala de leitura, oficina de carpintaria e marcenaria,
almoxarifados para cenografia e figurinos, além de modernos
equipamentos de luz e som. Contratou técnicos da
Europa, diretores, cenógrafos e iluminadores que ensinaram e
formaram profissionais no Brasil. O TBC passa a ser gerido por
uma equipe fixa, com encenadores
estrangeiros como Adolfo Celi, Ziembinski, Ruggero Jacobi, Luciano
Salce e Flamínio Bollini Cerri. Além de
cenógrafos, iluminadores e cenotécnicos, contrata um
corpo de atores que inclui Cacilda Becker, Sérgio Cardoso,
Nydia Lícia, Cleyde Yáconis, Paulo Autran,
Tônia Carrero e muitos outros nomes importantes para o
teatro. Zampari expande o ramo teatral para o cinema criando a
Companhia Cinematográfica Vera
Cruz.
A história do TBC e da Vera Cruz se misturam e a utilização dos funcionários é a mesma de um e de outro.
Na noite de 11 de outubro , o TBC estréia com
espetáculo duplo. "A Voz Humana", monólogo de Jean
Cocteau, interpretado em francês pela atriz Henriette
Morineau. Completa a apresentação a peça "A
Mulher do Próximo", escrita e dirigida por Abílio
Pereira de Almeida. No elenco está a jovem atriz Cacilda
Becker, que mais tarde se torna um dos maiores mitos do
teatro
O TBC passa a ser referência formando excelentes
profissionais e influenciando os Teatro de Arena e o Teatro
Oficina. O TBC passa a ser um marco da história do teatro
brasileiro. O TBC entra em colapso por causa das constantes crises
econômicas, fecha suas portas em 1964.
As questões sociais passaram a ser discutidas nas
peças brasileiras nos anos 50. Nelson Rodrigues despertou
polêmica com peças consideradas escandalosas. Ariano
Suassuna inovou com o teatro regionalista e de temática
social-religiosa.
Nesse período diversas companhias se formam como o Teatro
Popular de Arte, de Maria Della Costa; a Cia. Nydia
Lícia-Sérgio Cardoso; o Teatro Cacilda Becker e a
Companhia Tônia-Celi-Autran. Alfredo Mesquita funda
também nesse período a Escola de Arte
Dramática (EAD) em São Paulo.
O Teatro de Arena foi fundado em na década de 50 em
São Paulo. Novos elementos na dramaturgia brasileira
são utilizados, destacando as montagens de peças como
Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco
Guarnieri.
Sob a liderança de Augusto Boal, o Arena forma novos autores e adapta textos clássicos para que mostrem a realidade brasileira em forma de teatro de protesto. Nesta fase o teatro brasileiro implantou o sistema curinga, no qual desapareceu a noção de protagonista, em trabalhos como Arena Conta Zumbi (1965) e Arena Conta Tiradentes (1967), que abordavam acontecimentos históricos nacionais.
O Arena fechou suas portas em 1970 com o regime
militar.
A metáfora foi um caminho encontrado pela
classe artística para driblar a censura imposta pelo novo
regime. Com isso apareceram grupos, atores e diretores irreverentes
com uma nova forma de expressão. O dramaturgo Fauzi Arap
escreveu peças sobre a homossexualidade.
No Rio de Janeiro destaca-se Asdrúbal Trouxe o Trombone,
cujo espetáculo Trate-me Leão retratava a
geração de classe média carioca.
Em São Paulo surge a Royal Bexiga's
Company e o grupo Pod Minoga, formado por alunos de Naum Alves de
Souza, com a montagem coletiva Folias Bíblicas , em
1977.
Em 1979 a censura perde a força e algumas peças
proibidas nesse período são liberadas. A montagem de
Rasga Coração , de Oduvaldo Vianna Filho, teve
estréia nacional, no dia 21 de setembro do mesmo ano, no
Guairinha.
Na década de 80 o teatro sofreu influência do
pós-modernismo, tendo como expoente o dramaturgo Gerald
Thomas. Montagens como Carmem com Filtro , Electra com Creta e
Quartett apresentavam ironias sofisticadas e
concepções ousadas.
Já na década de 90 houve a necessidade de um retorno
aos clássicos, as encenações mostraram
tendências à visualidade e o retorno gradativo
à palavra.
O experimentalismo alcança sucesso de público e
crítica nos espetáculos Paraíso Perdido (1992)
e O Livro de Jó (1995), de Antônio Araújo,
encenadas em um hospital e uma igreja. A técnica circense
também é adotada por vários grupos em seus
espetáculos.

Ter 15 Mai 2012 20:53

