Romantismo

Blog de marcosalves :teatro em todos os tempos por Marcos Alves, Romantismo

 Foto de Guto Muniz - Grupo Galpão em "O Inspetor Geral"

 

               O Romantismo, embora num rumo muito diferente do alemão, triunfou nos teatros dos países de línguas neolatinas, com Hugo: o prefácio de sua peça Cromwell e a representação de Hermani, em 1830, são teórica e praticamente, datas decisivas. Mas esse tirunfo foi de curta duração. O repertório clássico voltou a dominar a Comédie Française. Só para a leitura escreveu Musset seus espirituosos proverbes, peças poético-fantásticas. Hoje, porém, o Romantismo retumbante de Hugo quase desapareceu dos palcos, mas os proverbes de Musset pertencem ao repertório. Caracteristicamente, algumas peças de Hugo sobreviveram como libretos de óperas de Verdi.

             O grande compositor italiano também encontrou enredos nas peças dos românticos espanhóis, como Rivas (1791-1865) e Zorrilla.  O Romantismo no teatro esteve destinado a transformar-se em música dramática.

            O maior dramaturgo romântico foi Richard Wagner. Assim como na Alemanha, também outros países os representantes mais autênticos do Romantismo no palco eram grandes atores da época, homens possessos pela sua arte, demoníacos, logo transformados em personagens lendários. Assim, na França, Frèdéric Lemaître, e na Inglaterra, Kean e Kemble, Booth e Macready. Pertencem à mesma espécie os grandes atores italianos que, por falta de teatros estáveis em sua terra, percorreram como stars o mundo: Adelaide Ristori, Salvini, Rossi, Novelli, Zaconi e, por último Eleonora Duse; na França, a derradeira grande romântica no palco foi Sarah Bernhardt.  Mas na mesma época também se desenvolveu outra arte teatral, menos espetacular e mais bem organizada, com elencos estáveis, dos quais os mais famosos eram a Comédie Française de Paris e o Teatro Imperial de Viena. Em Paris, a grande Rachel decidiu a volta vitoriosa do repertório clássico, seguida por artistas como Mounet-Sully e o cômico Coquelin.  Os precursores do Realismo no teatro europeu foram, na Alemanha, Hebbel e Ludwing.

              A glória de Otto Ludwing (1813-1865), espírito teórico e ainda preso a recordações românticas, passou com a geração dos grandes atores que sabiam representar-lhe as peças.

            Mas Hebbel, (1813-1863), dramaturgo de inspiração filosófica, preocupado com a complexa psicologia dos sexos e com influência do ambiente social sobre o indivíduo, é o precursor direto de Ibsen. No entanto, a técnica dramatúrgica de Hebbel ainda é a do teatro clássico alemão.

             A do Realismo foi desenvolvida pelos dramaturgos parisienses, satíricos dos preconceitos, como Augier (1820-1889), ou das convenções morais dessa sociedade, como Dumas Filho (1824-1895). Não tinham a coragem de ir até o Naturalismo, com exceção de Becque (1837-1899).

             O Realismo afrouxou-se cada vez mais em benefício de mera habilidade técnica; e o fim foi a comédia de boulevard, cujo melhor representante é, aliás, o espanhol Jacinto Benavente (1866-1954), fecundo como um Lope de Vega do século XX, seguro dos seus efeitos, mas superficial. 

             A lição francesa do Realismo teatral encontrou inesperadamente discípulos na Noruega, colocando de repente esse país isolado no centro da dramaturgia européia. A primazia cronológica pertence a Bjornson; depois de ter sido criado um rico teatro nacional, de inspiração histórico-romantica, converteu-se de repente, em "A falência", ao Realismo e à crítica da sociedade burguesa.

              Ibsen, um pouco mais velho e grandemente superior, é no entanto sucessor de  Bjornson: imitou-o e superou-o muito em peças históricas e filosóficas; no teatro realista-social venceu graves resistências, tornando-se o "Skakespeare bourgeois", dominador incontestado de todos os palcos europeus.

             Na própria Noruega, essa renascença do teatro não durou muito tempo; notável só é o satírico Gunnar Heiberg (1857-1929). Mas na Alemanha surgiu com Os tecelões, o "Ibsen do proletário", Gerhart Hauptmann, dramaturgo de intensa piedade com todos os sofredores e vencidos, alías de maior gênio poético do que habilidade dramatúrgica. A este último respeito superou-o Sudermann (1857-1928), dono de todos os efeitos no palco, muito representado e rapidamente esquecido.

                Em Viena, Schnitzler (1862-1931) adaptou o novo realismo ao erotismo intenso e melancólico dos seus enredos.

               Não foi possível representar essas peças com a arte clássica do Teatro Imperial ou do teatro da corte de Berlim.  Sob a liderança do diretor berlinense Brahm, surgiu  uma nova geração de grandes atores realistas: Else Lehmann Rittner, Schildkraut, Lucie Höflich, kayssler, que também fizeram os papéis nas peças de Ibsen e dos russos.

               Na Inglaterra, a lição de Ibsen teve de lutar contra a tradição poética do teatro elizabetano e contra a censura, que só deixou passar a espirituosa comédia da sociedade à maneira de Wilde.

               Os primeiros ibsenianos ingleses foram H. A. Jones e Pinero. O crítico Archer, entusiasta do Realismo no palco, contribuiu para as primeiras vitórias de Shaw, um Ibsen sem poesia, mas com maior perspicácia sociológica e com todas as vantagens da tradição inglesa da comédia social.

                Na França, Ibsen e Hauptmann venceram no teatro de Antoine; mas o "Ibsem francês", Curel (1854-1928), não passa de réplica muito pálida do seu modelo.

                As melhores peças francesas do novo estilo são as do novelista Jules Renard (1864-1910).No meio independente do ibsenismo evoluiu o teatro realista na Rússia.

                  A comédia satírica de Griboiedov tem suas raízes  ainda em Moliére e no século XVIII. Gogol, o autor do Inspetor Geral, é a transição do Romantismo fantástico para o realismo crítico. Talvez o maior autor dramático  russo do século XIX fosse Ostrovski (1823-1886), o dramaturgo dos comerciantes meio-asiáticos de Moscou, da burocracia corrupta, dos pequenos burgueses; é até hoje o autor mais representado do teatro russo.

             Do estilo de Ibsen já se aproxima o grande Tolstoi; apenas, em A força das Trevas, a religiosidade eslava substituiu os escrúpulos morais da alma escandinava. 

segunda 04 fevereiro 2008 14:36




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